Eu não deveria escrever nada disso, estou tentando programar minha vida pelo pensamento, mas sim, eu preciso, aliás, preciso não, quero,e vou falar um pouco sobre a dor, e automaticamente sobre o vazio, porque sim, é dor que eu estou a sentir agora. a dor da incapacidade, a dor de não conseguir tudo o que quero nem do jeito que quero, a dor de ter se transformado no que eu mais desprezo e colocar a culpa de tudo isso na vida e nas situações que me ocorreram. tenho pena de mim mesma. isso mesmo : pena ! por ser fraca, por ser tão podremente humana. por ter algo podre na minha alma : vaidade, egoísmo, soberba, luxúria, ódio ! talvez eu seja um brinquedo que já nasceu quebrado e sem concerto, talvez meu destino seja mesmo a solidão.
E eu que admiro tanto a luz, tanto as pessoas de bem, os atos de bem, os bons princípios, não tenho mais tanta certeza de que estou perto desse caminho. as lembranças esfregam na minha cara o passado o qual minha alma luta pra esconder de mim mesma, ele grita, ele fede. ele não me deixa em paz. ele me prende, ás vezes. ele faz meu subconsciente me avisar que eu não vou muito longe, que eu não tenho coragem, que eu não sou nada disso. aí fica essa contradição, automaticamente, essa mudança constante e irritante de personalidade, de humor, de sentimento, de vida. eu já pensei muito em procurar uma ajuda profissional, mas não, algo em mim diz que eu sou e serei forte o suficiente pra aguentar e superar essa barra de 500 mil kilos sozinha ... é só que, quando eu percebi que o sentimento mais puro que existia dentro de mim foi embora, eu fiquei desesperada, meu Deus, que tipo de monstro eu devo ter me tornado ? sem nada doce por dentro, sem nada doce por fora.
Eu escravizei e desprezei os seres que eu mais amavam, e os que eu mais amava. eu pensei únicamente na minha própria dor. dor mesquinha.
E ao contrário da fábula dos ratinhos tentando sair do leite, quanto mais eu remo, mais eu me afogo.